Sinopse: Em “De Férias com Você”, Poppy é livre, leve e solta. Alex planeja tudo. Depois de vários anos passando férias juntos, esses dois opostos começam a achar que são perfeitos um para o outro.
Direção: Brett Haley
Título Original: People We Meet on Vacation (2026)
Gênero: Comédia | Romance
Duração: 1h 58min
País: EUA

Feitos um para o Outro
Chega hoje à Netflix nos quatro cantos do planeta a comédia romântica “Dé Férias com Você”, mais uma adaptação audiovisual direto em streaming de um best seller adolescente, dessa vez escrito pela jovem Emily Henry (curiosamente o livro não é catalogado como ficção de jovem adulto e sim uma obra mais madura da autora). Livros e filmes que parecem fórmulas feitas uma para o outra, dada a avalanche de lançamentos dos últimos anos.
Dirigido por Brett Haley, o filme conta a história de Poppy (Emily Bader) e Alex (Tom Blyth), dois jovens que se conhecem quando ele aceita dar a ela uma carona de volta do campus da Universidade em que estudam até a cidade-natal de ambos. Utilizando a linguagem tradicional e propostas do gênero rom com, a história se desenvolve a partir da oposição de personalidades, desencontros, mal entendidos, beijos na chuva, danças engraçadas e canções pop de forte identificação do público-alvo do repertório de Taylor Swift, Paula Abdul, dentre outras.
Falando nisso, talvez a única surpresa na sessão de “De Férias com Você” seja a utilização de versão remixada da música “Cordeiro de Nanã” de Mateus Aleluia na sequência de abertura do longa-metragem. A impressão que passa ao testemunhar tantas obras parecidas adaptadas do mercado editorial contemporâneo é que a geração de autores populares não apenas referenciam às construções clássicas do Cinema, mas repetem cansativamente as mesmas táticas, com simples adequações ao recorte geracional atual.
No tempo presente do filme, Poppy começa a questionar a vida que sempre sonhou, uma vez que trabalha viajando ao redor do mundo para uma publicação. O tempo das férias é aquele em que somos levados a desligar dos problemas, nos divertir e, sobretudo, “nos permitir”. Só que para Poppy isso virou rotina e a grande aventura será desviar sua rota de Santorini e ir para Barcelona para o casamento do irmão de Alex – com quase uma década de memórias para nos contar.
A trama opera ao revisitar as férias dos últimos anos dos protagonistas e todas as vezes em que se encontram sem que o amor fosse consumado, recriando narrativa parecida com “Harry e Sally – Feitos um para a Outro” (1989) e outras produções que replicaram a fórmula de sucesso ao longo das últimas quatro décadas. A única gag que funciona é aquela em que Alex conversa com o pai de Poppy sobre o medo de viajar de avião pela primeira vez (enquanto o outro acha que é sobre perder a virgindade).
O restante é um apanhado de cenas que utilizam do contraste inicial entre o não-casal, superado quase todo na primeira viagem de carro. Poppy é uma jovem extrovertida, que sonha em viver de viagens e capaz de desenvolver amizades com facilidade. Alex é um garoto introvertido, que não vislumbra voos mais altos do que a vida organizada e estável que possui. Por trás disso, há nela um passado em que foi vítima de bullying, esvaziando seu carinho pelo local de nascimento. Enquanto que há nele a perda precoce da mãe, mostrando que introversão e extroversão eram, na verdade, a arma de proteção de cada um.
Ideias promissoras perdidas no jogo de gato e rato que o Cinema comercial nos traz há muitos anos. Antes sucessos de bilheteria, baseado no star system de Meg Ryan, Julia Roberts ou Ashton Kutcher e agora centrado nos streamings mais populares, como grande novidade da última semana – se valendo de material original que carrega uma base de fãs apaixonada e pouco interessada em qualquer nuance audiovisual.
O que mais impressiona no mar de trivialidades de “De Férias com Você” é a total ausência de conflito até o clímax do filme. Poppy e Alex são amigos e assim permanecem, até que nada os impede de viver o amor. Uma insegurança totalmente sem sentido é apresentada como desculpa para o arrependimento e a clássica declaração final, como se a história tivesse esquecido de criar obstáculos para poder chamar seu final de feliz.
Veja o trailer:

