Os Ausentes | Entrevista

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“Os Ausentes”, primeira série Max Originals brasileira, é lançada em entrevista coletiva

A Apostila de Cinema participou na última semana da entrevista coletiva com a equipe de “Os Ausentes“, primeira série brasileira lançava pelo grupo WarnerMedia após a chegada na América Latina da HBO Max. Desenvolvida por Maria Carmen Brabosa e Thiago Luciano, os dez episódios entram simultaneamente no ar na próxima quinta-feira, dia 22 de julho. Na mesma data, uma crítica completa sobre a primeira temporada também será publicada.

“Os Ausentes” conta a história do ex-delegado Raul Fagnani (Erom Cordeiro), que abre uma agência que se torna famosa no submundo de São Paulo por receber todo tipo de clientes, sobretudo aqueles que não podem ou não querem recorrer à polícia. Ele ainda tem esperança de descobrir o que aconteceu com sua filha desaparecida. A chegada de Maria Julia (Maria Flor) muda o dia a dia de trabalho. Ela fugiu de Buenos Aires, após seu pai sumir misteriosamente, e está disposta a reencontrá-lo. Enquanto buscam por seus familiares, a dupla de investigadores se embrenha na procura por pistas para solucionar os casos que chegam à agência.

Uma cada vez mais rara série procedural, em que cada episódio possui um arco próprio, que se resolve dentro dos quase cinquenta minutos – enquanto uma trama principal se desenvolve em paralelo. Ou seja, ao fugir da lógica atual do chamado bing watching, o programa consegue prender ainda mais o espectador e pluralizar as questões que envolvem sua narrativa. Mas, isso é papo para nosso futuro texto de análise.

Em pouco mais de uma hora, elenco e produção falaram sobre alguns aspectos que envolveram o complexo trabalho, que demorou quase dois anos entre o primeiro encontro e a chegada ao público latino-americano. Vamos saber mais sobre “Os Ausentes”.


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Números e preparações

A produtora Silvia Fu iniciou a conversa trazendo os números que envolveram a série. Com mais de cem locações e mil figurantes, os atores do elenco fixo e transitório também ultrapassou uma centena. Com o objetivo de vincular o programa a uma realidade brasileira de grande apelo – e ainda pouco discutida – foram mais de oitocentas horas de set para que a primeira Max Originals do país ganhasse forma.

O ator Erom Cordeiro trouxe então parte do processo de preparação de seu personagem e suas inspirações. Com uma obra fechada e desenvolvida a partir do roteiro, o elenco fixo teve a oportunidade de realizar mais de um mês de ensaio, em que parte do amadurecimento da tragédia pessoal de seu personagem, o protagonista Raul, ganhasse forma. Fugindo dos temidos spoilers, ele e a atriz Maria Flor, intérprete de Maria Julia, lembraram que não tiveram acesso ao texto dos últimos episódios da temporada de forma antecipada, o que fez com que algumas revelações sobre o passado e o mistério que envolve a dupla fosse surpresa também para eles. Mesmo assim, o suficiente para que o começou das filmagens já trouxesse uma carga de afeto aos atores.


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Pensando a Unidade

A diretora Caroline Fioratti fez uma importante fala sobre os esforços da equipe para garantir a unidade estilística de uma série que, a cada novo episódio, inicia do zero arcos dramáticos complexos – que envolve pessoas desesperadas por encontrar pessoas queridas até figuras ausentes de nossa campo de visão em boa parte do tempo.

Foi fundamental o processo de ensaio já mencionado por Erom, tornando o núcleo duro dos agentes envolvidos uma espécie de família. O entendimento e domínio territorial de uma megalópole como São Paulo, onde o programa se passa, também foi primordial. Cada nova história de “Os Ausentes” mergulha em um universo diferente do centro urbano e isso permitiu novos laboratórios para o elenco dentro da nova trama que se desenrolava. Até o contato com populares e pessoas que compartilhavam suas experiências parecidas envolvendo o desaparecimento de amigos e familiares.


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A importância do tema

A entrevista seguiu para tratar da importância de falar sobre o desaparecimento de pessoas e a forma como o Estado lida com isso. O ator Augusto Madeira, então, lembrou que não há no Brasil um sistema unificado de registro que facilite as buscas (ao contrário do que ocorre com veículos, por exemplo). Uma das informações que deixou ele impressionado no momento da construção de seu personagem que trabalha na agência liderada por Raul. O ator Erom Cordeiro complementou dizendo que, extraoficialmente, a ideia é a de que exista no momento mais de cinquenta mil cidadãos com o paradeiro desconhecido, considerados desaparecidos.

Um dos jornalistas traçou um paralelo com o caso de desaparecimento dos meninos Lucas, Alexandre e Fernando em Belford Roxo, município da Baixada Fluminense. Silvia Fu, então, registrou que uma das buscas do programa era permitir vários recortes de classe e equilibrar suas representações que vão desde a ineficiência do Estado e ao desespero de famílias e amigos em busca por resposta. E lembrou que isso inclui parte uma elite que não quer (ou não pode) ir à Polícia ou pessoas que não confiam na leitura que as autoridades darão ao seu caso. A agência de Raul, portanto, não julga ou pré-julga os casos e – talvez o mais importante – não os hierarquiza, destacando o episódio em que um refugiado é personagem central da trama.

A produtora Mara Lobão atestou o universalismo da obra dizendo que, é muito provável, que cada um dos espectadores de “Os Ausentes” conheça uma história de alguém que sumiu, mesmo que nunca tenha se envolvido emocionalmente. Além disso, São Paulo é o pano de fundo, mas aquelas situações poderiam ocorrer em qualquer centro urbano latino-americano, gerando expectativa sobre a receptividade através do continente. Assim como acontece na realidade, há finais felizes e outros não. Alguns foram destrinchados ao longo da produção, que quis trazer uma forte carga de fidelidade ao que estava sendo contado. No que a atriz Flávia Garrafa falou da função da arte de olhar para a realidade e como a série foi pensada para gerar identificação, com o objetivo de contribuir tanto para a sociedade quanto para os indivíduos que viveram ou vivem algo parecido.


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As origens de “Os Ausentes”

Thiago Luciano, autor da série ao lado de Maria Carmen Barbosa, disse que ficou próximo da escritora em outro trabalho e há alguns anos eles buscavam um tema que refletisse certo aspecto da sociedade brasileira. Quando acharam o bom argumento, veio o desafio: transformar os vários casos que se sucederiam em uma série procedural. Ele falou que boa parte da narrativa surge a partir de conversas com uma delegada de São Paulo especializada em casos desta natureza e que, no processo de escrita, por vezes ele mesmo sentia a carga de emoção do material – que contou com a consultoria de peso de Barry Schkolnick, produtor e roteirista de marcos de seriados procedurais como “Law and Order” e “The Good Wife“.

Já a atriz Maria Flor disse que seu primeiro contato com essa realidade se deu a partir da produção e já antecipou eventuais comparação de sua personagem com a detetive Mare Sheehan, vivida por Kate Winslet em “Mare of Easttow“, também disponível na HBO Max. As duas são mulheres que se colocam em risco e se expõem em um universo predominantemente masculino. Uma representatividade feminina e busca por equidade que pode ser vista na frente, mas que também ocorreu por trás das câmeras. Tanto ela quanto Erom Cordeiro reforçaram a expectativa da confirmação de uma segunda temporada em breve.

Se depender do que a Apostila de Cinema já conferiu, “Os Ausentes” não terá dificuldades em realizar uma nova leva de episódios em breve. Marque na agenda o dia 22 de julho, quando a primeira temporada ficará disponível para os assinantes da HBO Max. E não deixe de conferir em breve a crítica – com spoilers devidamente sinalizados – aqui na Apostila de Cinema.

Veja o Trailer:

A Apostila de Cinema é uma iniciativa de promover o debate sobre o cinema e questões pertinentes ao mesmo levantando análises culturais, sociais e estéticas que consideramos centrais para o pensamento crítico da Sétima Arte Contemporânea.

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