Tanque de Guerra

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Sinopse: “Tanque de Guerra” se passa na frente oriental, 1943, em meio à Segunda Guerra Mundial. A equipe de um tanque alemão Tiger é enviada numa missão perigosa além das linhas de frente ferozmente disputadas. Ao cruzarem essa letal terra de ninguém, eles precisam encarar o inimigo e seus próprios demônios internos.
Direção: Dennis Gansel
Título Original: Der Tiger (2025)
Gênero: Guerra | Ação | Drama
Duração: 1h 56min
País: Alemanha

Tanque de Guerra 2025 Crítica do Filme Imagem

Labirinto Guiado

Estreando no Brasil direto na plataforma de streaming do Amazon Prime Video, a produção alemã “Tanque de Guerra” apresenta um estudo interessante de cinema de gênero, criando uma pequena armadilha ao espectador para tratar da profundidade de traumas de conflitos como o da Segunda Guerra Mundial, momento histórico em que o filme é ambientado. Escrito (ao lado de Colin Teevan) e dirigido por Dennis Gansel, que fez um barulho há quase vinte anos com “A Onda” (2008), o que parecia ser um drama um pouco enfadonho ganha força nos minutos finais.

Apesar da incômoda necessidade de “explicar” seu final, com a cansada tática de montagem de utilização de flashbacks dentro do próprio filme para “mostrar” ao público todos os truques tal qual um mágico pouco talentoso, prefiro ficar com a forma inegociável da narrativa de se alinhar a quase todas as ferramentas dos filmes de guerra de pequeno e médio orçamento para desenvolver a trama. Este, sim, o verdadeiro truque de ilusionismo e que tira a sensação de que estamos assistindo a “mais do mesmo” ao final da sessão.

Tanque de Guerra” conta a história de um grupo de soldados alemães liderados por Philip (David Schütter). Eles precisam bater em retirada de área ocupada pela União Soviética após a ascensão de Stalingrado, em retomada histórica de territórios que mudou o rumo do planeta na batalha contra o nazismo na II G.G em setembro do ano de 1942. Porém, os soldados precisam voltar àquele espaço para resgatar Paul von Hardenburg (Tilman Strauss), que provavelmente caiu nas mãos dos inimigos e possui conhecimentos táticos e estratégicos do Exército alemão.

A proposta de narrativa é comum as produções sobre a guerra, é verdade. As formas como a história é contada e o longa-metragem se desenvolve também. Apelidado de “Operação Labirinto”, a caminhada daquele destacamento nazista envolve noites de acampamento com conversas em volta de fogueiras, cenas de tensão por um dos soldados encostar em uma mina terrestre e perseguição do inimigo que surge pela retaguarda quando tudo parecia estar seguro.

As sequências de ação são providencialmente espalhadas no início, meio e fim. O envolvimento dramático é limitado, mostrado a partir de poucas fotos de esposa e filhos dos representantes do Exército. Claro que teremos baixas e emoção envolvendo a despedida do amigo de guerra. Contundo, o filme parece ser um checklist de obras do gênero que não contam com os recursos ilimitados de Hollywood, mesmo cara para os padrões de outros países. Já o uso desses recursos é programado e apresentado com a cadência de uma escola de samba interessada apenas em gabaritar o quesito evolução.

A exceção em “Tanque de Guerra” está na personagem de Keilig (Sebastian Urzendowsky), professor de latim que tenta provocar os colegas a uma visão mais crítica do conflito. Porém, um dos comandantes da operação trata logo de silenciar o debate, tal qual um moderador de grupo de WhatsApp no Brasil, dizendo que – justamente ali – não se falava em política. Fica inaugurado o terço final, que juntará as duas pontas soltas do prólogo e da introdução.

No prólogo do longa-metragem, é apresentada ao espectador uma frase forte: a guerra só termina para aqueles que morrem. Essa premissa se mostra válida na introdução, quando Philip já demonstra alguns traumas do período em que esteve na ocupação de parte da União Soviética. Gansel, então, cria um mistério sobre o que seria a motivação pessoal do protagonista no resgate de von Hardenburg – além de colocar em dúvida o paradeiro do procurado.

Então, no meio de um apanhado de supostos clichês e da velha lição de que a guerra mata muito inocentes, “Tanque de Guerra” sugere que tudo o que assistimos é resultado de um grande evento pós-traumático de Philip. Talvez tarde demais para o público menos envolvido com o desfile de obviedades de um filme do gênero, mas sem dúvida capaz de tirar o sorriso de quem gostou de uma pegadinha quase tão antiga quanto o próprio Cinema.

Veja o trailer:

Jorge Cruz Jr. é crítico de cinema associado à Abraccine e editor-chefe da plataforma Apostila de Cinema.