A Maldição dos Esquecidos

A Maldição dos Esquecidos Crítica Filme Pôster

Sinopse: Em “A Maldição dos Esquecidos”, dois irmãos, Angela e Jackson, formam uma parceria aplicando golpes como “caça-fantasmas”. Em explorando o sofrimento e vulnerabilidade dos enlutados, a dupla convence seus alvos de que Angela tem a capacidade de fazer contato com os mortos.
Direção: Olaf de Fleur Johannesson
Título Original: Malevolent (2018)
Gênero: Horror | Mistério | Thriller
Duração: 1h 29min
País: Reino Unido

A Maldição dos Esquecidos Crítica Filme Imagem

Os Esquecidos do Início da Carreira

Já sabendo da probabilidade de testar nossa admiração por Florence Pugh, encaramos “A Maldição dos Esquecidos“, horror britânico de 2018 que chegou esta semana ao catálogo do Telecine. Pensado por um olhar complexo sobre a protagonista Angela, o filme dirigido pelo islandês Olaf de Fleur Johannesson não desenvolve nenhum desses caminhos possíveis. Aposta nas representações de um gênero que, devido ao interesse do público, vai congestionando a agenda de lançamentos com propostas parecidas, sem que consiga trazer algo relevante em boa parte deles.

Tendo nas mãos uma talentosa atriz dramática – indicado ao Oscar por “Adoráveis Mulheres” (2019) e que deve conseguir seu lugar ao sol nos cachês milionários da Marvel após participação em “Viúva Negra” (2021) – diversos aspectos chamam a atenção na personalidade da protagonista. Sua passagem como interna em uma clínica psiquiátrica no passado e as recentes dificuldades de obter resultados na faculdade de Psicologia. Ela, portanto, está envolvida em um golpe. Se vale de uma suposta mediunidade para conversas com espíritos obsessores para convencê-los de irem embora.

Por sinal, o roteiro de “A Maldição dos Esquecidos“, em que a escritora Eva Konstantopoulos adapta seu próprio livro, não se preocupa tanto em trazer este embasamento. Quer o verniz de realidade pelas formas mais rudimentares de provocar apreensão e susto. Isso esvazia o longa-metragem de uma maneira que o torna à beira do esquecível. Há um ótimo dilema na figura de Angela, ao passar a ter contato com os espíritos que ela finge ajudar. Isto porque, parte do sucesso do golpe depende do ceticismo de seus agentes, algo que ela não conseguirá mais escapar.

Por fim, não nos aprofundamos nem em sua história e nem do leque de coadjuvantes, que têm em comum questões mal resolvidas dos seus passados. Diverte apenas para aqueles que aguardam a presença, a qualquer momento, do Padre Quevedo – que em poucos segundos revelaria todas as traquitanas por trás dos efeitos criados pelo grupo de caça-fantasmas e diria que aquilo non ecsiste. Menos mal, que, após a experiência negativa sobre o que não fazer em produções como este, Florence Pugh comandaria novamente um elenco pelo texto e direção de Ari Aster.

Quem procura algo próximo das provocações de “Midsommar: O Mal Não Espera a Noite” (2019), deverá lamentar ainda mais a escolha deste projeto. “A Maldição dos Esquecidos” é daqueles que não aguenta uma boa noite de sono. No dia seguinte você será capaz de lembra mais da raiva e frustração pelo tempo perdido, do que de alguma cena que lhe chamou a atenção.

Veja o Trailer:

Jorge Cruz Jr. é crítico de cinema associado à Abraccine e editor-chefe da plataforma Apostila de Cinema.

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